O Natal Nos Lembra



Este é um post que escrevi para o culto de Natal de 2010 de nossa família, mas gostaria de compartilhar com vocês.

A reflexão é sempre atual e sempre necessária.

Feliz Natal,

Renato



A mitologia grega nos fala de heróis. Heróis, neste caso, eram os filhos dos deuses com seres humanos. Temos vários exemplos deles: Hércules, Aquiles, Agamenon, Édipo. Os heróis eram personagem que estavam numa posição intermediária entre os homens e os deuses gregos. Possuíam poderes especiais superiores aos dos humanos (força, inteligência, velocidade), porém eram mortais.

Aquiles era um guerreiro extraordinário. Hércules tinha uma força sobrenatural. Édipo, com sua inteligência superior, decifrou o enigma da esfinge. Mas todos eles falharam em algum ponto de suas vidas, ou tinham grandes fraquezas, talvez fraquezas estas do mesmo tamanho das suas habilidades.

Aquiles morreu atingido no seu calcanhar. Hércules traiu, matou, e por fim morreu envenenado. Édipo morreu tragicamente tendo vazado os próprios olhos.


Nós, seres humanos, sempre fomos fascinados pelos heróis. Dos mais antigos até mesmo aos mais modernos. Hoje celebramos o nascimento do único e verdadeiro herói que a humanidade conheceu. Ele também é filho de um Deus, do único Deus, que plantou Sua semente divina no ventre de uma simples mulher, mortal e falível, Maria.


O Criador do Universo se tornando criatura naquele estábulo em Belém. Tudo mais simples do que gostaríamos e do que imaginávamos. Tudo parte do plano divino de redenção.


Deus encarnado. Deus entre nós. Não com uma super força, não com habilidades especiais. Absolutamente humano. E mesmo assim absolutamente Deus. Esse é um mistério divino que a mente humana nunca será capaz de alcançar. O Natal nos lembra de um Deus que se importa conosco. Ele não desistiu de nós. A Bíblia nos lembra que Deus nos amou tanto que Ele deu o Seu filho para nascer como homem.


Deus, o Pai, sabia que não tinha como ser diferente. Ele não burlaria as regras que Ele mesmo havia estabelecido. Para que houvesse redenção verdadeira, Jesus tinha que nascer como humano. 100% humano. E diferentemente da mitologia grega, Ele não veio por castigo, ou pra pagar o preço de algum erro cometido. Ele decidiu vir por amor. A Bíblia nos diz em Filipenses que Ele abriu mão de Sua glória e a Si mesmo Se esvaziou. Se houve redenção no Gólgota é porque houve encarnação em Belém.


Decepcionante saber que o Rei do Universo veio a este mundo como um simples bebê naquela estrebaria? Não, se entendermos que Deus tem Sua própria maneira de agir. Ele mesmo declarou, através do profeta Isaías: “Os meus caminhos e os meus pensamentos são mais altos do que os seus.” O Natal nos lembra que Deus opera em nossas vidas não do jeito que nós queremos ou esperamos, mas do jeito que Ele quer! E nos lembra que em nenhum momento Ele perde o controle da História. Ele faz o que precisa ser feita na hora certa, no momento exatamente preparado para aquilo.


Ao lermos a história que nos é narrada nos Evangelhos do nascimento de Jesus podemos ter a impressão de que tudo aconteceu meio “às pressas”. Afinal, parece que nem deu tempo de providenciarem um lugar adequado para nosso Salvador nascer. Nos parece que Ele nasceu onde deu. Tolo engano. Tudo aconteceu exatamente como planejado pelo Senhor.


Depois de Malaquias, houve 400 anos do que se chama “silêncio profético”. Não que Deus tenha ficado inoperando. Pelo contrário, Ele estava preparando todo o contexto para o nascimento do Messias. O império romano permitiu que houvesse estradas seguras e navegações para que a mensagem do Evangelho se espalhasse. A dominação cultural grega foi providencial para que a mensagem de salvação pudesse ser compreendida por mais pessoas.


O nascimento de Jesus nos lembra também que Deus tem a Sua própria maneira de realizar os Seus planos em nós. Um Deus que não precisava de nós, mas que decidiu que Seu próprio Filho seria um de nós. Li uma citação hoje que se explica muito bem isso: “Quando Jesus desceu à terra não deixou de ser DEUS; quando voltou ao céu não deixou de ser homem – J. Blanchard”


E por último, o Natal nos lembra que Deus não tem compromisso de nos fazer habitar em palácios. Em contraposição a essa “teologia da prosperidade” que tem enchido nossos púlpitos e nossas TVs, lembre-nos que o próprio Deus providenciou e quis que Jesus nascesse daquela maneira tão simples. Deus não tem compromisso com os desejos megalomaníacos que por vezes podem nos assediar.


Era uma simples estrebaria? Sim! Mas Ele estava lá! Isso nos basta. E mesmo em meio a essa simplicidade, se olharmos a nossa volta poderemos ver sinais que Ele está sobrenaturalmente conosco. A estrela. O coro angelical. A visita dos magos. Deus sempre põe sua marca sobrenatural em meio à simplicidade que Ele mesmo providenciou para nós.


Nos momentos incertos da vida, nos momentos difíceis, saibamos que Ele está conosco. O mais difícil Ele já fez por nós, para que pudéssemos ser religados à Ele. E saibamos que em todo tempo, mesmo nas “sujas estrebarias” que encontramos em nossas vidas, que Ele está, cumprindo o Seu plano em nós. Basta que digamos “sim” a Ele todos os dias.

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